Publicado na categoria: Devocionais
Não fique com medo da rejeição e das caras feias. O servo de Deus tem que estar pronto para ficar calado e também para confrontar quando necessário.
Não fique com medo da rejeição e das caras feias. O servo de Deus tem que estar pronto para ficar calado e também para confrontar quando necessário. O Senhor está sempre com você!

Como ser humano tenho o direito de me expressar e falar o que penso. Todavia, como cristão, tenho a responsabilidade de avaliar o propósito de tudo o que falo. Por meio da Palavra de Deus aprendo que devo ter sempre palavras agradáveis e temperadas com sal (Cl4:6) e que edifiquem e transmitam graça aos que me ouvem (Ef4:29). Por outro lado, como devemos encarar outros aspectos bíblicos como o confronto e a destruição dos sofismas (2Co10:4-6)? Como pregar sem incomodar? Como testemunhar a ética e a moral cristã, sem confrontar o padrão do mundo? Até que ponto devemos ser flexíveis ou confrontadores?

Neste mundo relativista,  se torna deselegante o ato de discordarmos aberta e diretamente do próximo. O paradigma da sociedade atual transforma em  falta de sabedoria, em infantilidade e até mesmo em comportamento anti-ético qualquer confronto que fizermos contra as crenças das outras pessoas, principalmente se forem assuntos de fé, política, opção sexual, “cultura”, etc. Algumas vezes o confronto é até tolerado, desde que seja feito por meio de muitos rodeios e, se possível, deixando aberta a porta para talvez estarmos errados (e o outro certo). Este relativismo que em alguns momentos pode ser viável e até desejável, como por exemplo em assuntos técnico-profissionais, passa a ser, pela Palavra de Deus, um absurdo quando aplicado aos princípios básicos da fé cristã, da moral e da ética.

À isso que expus, gostaria agora de somar uma observação curiosa que tenho feito na minha vida e, inclusive, tem sido declarada para mim também por outros cristãos. O que acontece é que muitas pessoas não cristãs, tendo consciência do valor que damos para nossa reputação e caráter, utilizam de constrangimentos para nos fazer evitar todo e qualquer embate. Somos levados a nos sentir pecadores e hostis sempre que discordamos categoricamente de alguém. Somos rotulados de retrógrados, cabeças dura, inflexíveis, preconceituosos e até orgulhosos. Obviamente nenhum cristão quer ser visto assim, especialmente aqueles que entendem que o testemunho de vida é parte fundamental da Obra. Sendo assim, muitos acabam ficando tímidos, calados, omissos, imobilizados e até oprimidos. Inúmeros cristãos vivem assim hoje, sem saber como agir diante destes constrangimentos. Mas o fato é que a Palavra de Deus e o conhecimento celestial incomodam e continuarão incomodando o mundo, pois gera confronto com a forma de pensar do homem. Como cristãos não podemos ficar imobilizados em nossas palavras e ações. Alguns, diante do medo de incomodar o próximo e ser tachado de alguma coisa, chegaram até mesmo a ceder às influências deste século. Na melhor das hipóteses, estes acabam se esforçando tanto para amenizar a situação que por fim falam bobeira, tirando a glória de Deus e a clareza da mensagem da Cruz (que é loucura 1Co1:1-31 e 1Co2:1-6).

Enfim,

Devemos ser confrotadores ou flexíveis?

Pela Palavra de Deus afirmo: Ambos.

Devemos pedir sabedoria de Deus, buscando-a através da oração e da leitura da Bíblia Sagrada, pois o Senhor nos garante que dá liberalmente a todos os que a pedem (Tg1:5). Por fim, será a ação auxiliadora do Espírito Santo, balizada pelo amor e pela Palavra, que nos dará o discernimento para entendermos como agir a cada momento.

Pessoas muito presas na necessidade de agradar ao próximo terão dificuldade de receber olhares de reprovação e  ”caras tortas” quando confrontarem as argumentações do outro, mesmo que seja por um motivo nobre como anular sofismas malignos e apresentar a verdade de Cristo. Outras pessoas, talvez por fragilidade de fé, buscarão se proteger do mundo sendo absolutamente inflexíveis e intratáveis. No entanto, o fato é que na caminhada cristã precisamos aprender a ficarmos calados e deixarmos passar muitas coisas que ouvimos e não concordamos, bem como precisamos de firmeza de caráter para confrontarmos o erro quando necessário, mesmo que entristeçamos temporariamente o próximo e venhamos a ficar sem amigos, apenas com Deus.

Os profetas não eram exatamente pessoas queridas. Eles não tinham muitos amigos. Palavras duras afastam as pessoas. Sendo assim, precisamos ser sábios para não confrontar o próximo por vaidade, ou sem o amor devido, ou ainda apenas confrontar por confrontar, como se não tivéssemos freios na língua. Na grande maioria dos casos a melhor atitude não é bater de frente, mas ir aos poucos, com carinho e sensibilidade, respeitando as dificuldades do outro, vencendo as lutas pela oração. Devemos evitar a síndrome do caçador rambo, que atira para todos os lados, confrontando tudo o que discorda. O ideal é aguardar para falar a palavra certa na hora certa, pois do contrário estaremos sempre confrontando e chateado o próximo. Assim, quando vermos um oportunidade real de confronto, seremos melhor ouvidos. Em minha opinião esta deve ser a postura básica de todos os cristãos, todavia chegará também o dia em que um confronto direto se tornará necessário. Algumas pessoas têm mais facilidade em confrontar (e deve tomar cuidado com isso, ou seja, deve se esforçar para ser mais calada e flexível, confrontando apenas quando necessário), enquanto outras tem mais dificuldade em confrontar (e também deve tomar cuidado com isso, buscando ter firmeza de caráter e fé para confrontar quando for necessário).

Minha postura de vida é evitar confrontos desnecessários, de modo que eu gere um ambiente amistoso ao meu redor. Em geral, agindo assim, quando for preciso falar, serei melhor ouvido. Todavia, algumas pessoas acham que eu confronto excessivamente os outros e deveria me importar  menos com as coisas, evitando mais e mais de entrar em confrontos. Elas temem que eu afaste as pessoas de mim. Mas infelizmente esse é um risco que terei que correr. Não posso me calar para me proteger. Já cedi o máximo que pude. A partir de agora, se eu ceder mais, estarei pecando contra Deus. Por isso, faço minhas as palavras de Paulo:

“Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado.” 2 Coríntios 12:15 RC

Muitas pessoas nem imaginam que eu expresso menos de um por cento daquilo que percebo de errado nelas. Existem vários motivos para eu não falar tudo o que penso: 1) Eu também erro e errar é humano. Seria injusto eu ficar apontando erros o tempo todo porque eu também sou cheio de erros. 2) Não adianta falar tudo, pois tem coisas que só o tempo e Deus poderão mudar. 3) Tenho que ter misericórdia, pois é dolorido ficar ouvindo nossos erros o tempo todo. 4) Para não afastar desnecessariamente as pessoas de perto de mim. 5) Porque eu tenho que estar pronto a ajudar a pessoa, visto que não basta apenas apontar o erro, tem que haver o bálsamo também. 6) Porque nem sempre a pessoa tem a bagagem necessária para compreender a crítica/sugestão. 7) Porque nem sempre meus pensamentos e desejos de mostrar o erro são movidos por amor. 8) Porque tenho coisas mais importantes para falar e não quero desperdiçar uma oportunidade com outros assunto menos relevante. Se eu falar demais a pessoa vai parar de me ouvir e se afastar.

Apesar de já ter diminuído ao máximo o número de confrontos, eu ainda recebo muitas “caras tortas” e sou rotulado como confrontador. Por que isso?  Inicialmente tentei mudar a forma de falar, buscando confrontar de forma mais e mais amorosa, mais e mais suave, demonstrando mais e mais carinho e boa intenção, buscando os melhores momentos, falando apenas o necessário, usando de certos rodeios para suavizar a mensagem. Mas mesmo assim, continuei recebendo olhares de desprezo e muitos se afastaram de mim. Depois de muito orar, ler Bíblia e meditar, cheguei a conclusão que a natureza humana é assim mesmo (inclusive a minha). Não importa o quanto diminuamos os confrontos. Se confrontarmos uma pessoa uma única vez, ainda assim é bem provável que ela não venha a regozijar de alegria. É natural. Portanto, tenho que aprender a receber cara feia e a me gastar pelo evangelho e por amor ao próximo. Não tem como ser um porta voz de Deus sem que em algum momento isso ocorra, pois a mensagem de Deus incomoda, nos leva a sair do comodismo, nos leva a movimentar, a mudar nossa vida e nossa mente. É verdade que algumas pessoas até lidam muito bem com o confronto, críticas e sugestões, mas mesmo elas podem ir para o extremo oposto dependendo do assunto do confronto. Em outras palavras, é natural que venhamos receber desprezo, rejeição e abandonos por falar a verdade, por confrontarmos e por nos mantermos inflexíveis nas nossas convicções. Como cristãos temos que estar prontos a passar por isso. Ainda que os homens nos abandonem, Deus estará sempre conosco.

“35  Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.   …   38  Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.” Marcos 8:35,38 RA

“19  Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20  ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” Mateus 28:19,20 RA

O fato que comentei acima, no entanto, refere-se a observação de que muitas pessoas dominadas pelo relativismo acabam tentando constranger os cristão a se moldarem naquilo que elas querem, do contrário estes serão rotulados como orgulhosos e outros adjetivos pejorativos. Isso que estou falando se aplica aos assuntos de maior importância, pois é óbvio que nas coisas corriqueiras e de pouca importância as pessoas tendem a aceitar pequenos confrontos com tranqüilidade. Estas pessoas agem como se fosse um crime bater de frente ou discordar categoricamente de alguém. Algumas vezes elas até toleram estes confrontos, caso nos curvemos à falsa obrigação moral de fazer tudo sorrindo, feliz e saltitante, mantendo uma postura menos categórica (relativismo), deixando aberta a porta para talvez estarmos errados.

Bem, quanto a mim, procuro falar apenas o que julgo indispensável, considerando a importância, a viabilidade, a realidade do amor, a necessidade, o momento, e a capacidade do outro de entender o que pretendo falar. Obviamente não acerto sempre, mas tento (do verbo tentar) pautar minha comunicação com base nestes princípios. Muitos estranhariam ler isso que escrevi, pois me vêem como um grande confrontador. Muito disso se deve ao fato deles se relacionarem (na maior parte do tempo) com pessoas que não se importam e nem querem se gastar em confrontos (a não ser quando são naturalmente briguentas). Mas eu, apesar da minha enorme multidão de defeitos, tenho compromisso firme com o Senhor e por isso tenho por objetivo de vida fazer o bem e amar o próximo, o que muitas vezes repercute necessariamente em confrontos de idéias. E hoje, no mundo que vivemos, cinco confrontos já é o suficiente para alguém ficar amargurado e se afastar do outro.

Tudo isso poderia virar um enorme fardo nas nossas costas: falar o que é certo na hora certa, avaliando vários critérios, tais como o amor, a importância, o momento, etc. Que ser humano conseguiria fazer isso? A própria Bíblia fala que quem consegue dominar a boca é uma pessoa perfeita (Tg3:2)!

Bem, acredito que a solução seja buscarmos uma vida ativa com Deus, pedindo sabedoria e orientação ao Espírito Santo, sempre conferindo se o que vamos falar está de acordo com o filtro do amor e da Palavra de Deus. Uma boa ferramenta também é fazermos perguntas para nós mesmos antes de abrirmos a boca. Por exemplo: qual o propósito daquilo que pretendemos falar? qual a real importância? o momento é propício? seria melhor deixar de lado para poder confrontar coisas mais importantes depois?

Em Mt10:19 aprendemos que o Espírito Santo nos dará o que falar a cada momento.  É fundamental também estarmos sempre lendo a Bíblia e orando ao Senhor, porque a boca fala do que está cheio o coração, ou seja, precisamos ter bons tesouros dentro de nós para oferecermos algo de valor para o outro (Lc6:45). Por fim, precisamos ter consciência que, como seres humanos, estamos sujeitos a errar e, portanto, precisamos estar prontos para pedir perdão para Deus e AO PRÓXIMO (muitas vezes apenas para Deus não é o suficiente), tendo a fé e a tranqüilidade de que Deus é o dono da Obra e está no controle de tudo.

Mas mesmo com todos estes cuidados ainda assim é provável que venhamos a receber caras feias e desprezo. Fica calado é mais cômodo e certamente traria mais paz humana para nossas vidas. Mas a que custo faríamos isso? Reteríamos a verdade para termos maior conforto humano?

Pessoas que não suportam a idéia de incomodar o próximo, que têm uma necessidade incrível de agradar a todos, precisarão vencer este obstáculo. É natural, ainda que não fôssemos cristãos, viver épocas nas quais uma ou mais pessoas estarão decepcionadas e indignadas conosco. Precisamos maturidade para viver bem e equilibradamente em Deus quando estiver em situações assim. “Nem sempre todos estarão alegres conosco, mas Deus ama a nossa vida e estará sempre conosco”! Como servos de Deus precisamos estar firmes Nele, amadurecidos na fé, para sustentarmos a verdade custe o que custar e para nos gastarmos dia a dia em prol do Seu Reino, trazendo as pessoas à Cristo e conduzindo todo entendimento à Sua Luz.

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